A igreja em guerra.

Caros irmãos, que a paz seja convosco.

Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” 1 Tm 6:10,11

Atualmente, talvez sem paralelo na história cristã, a igreja vem sofrendo, dentro de seu próprio quadro, cismas e enfrentamentos que, paradoxalmente ao crescimento do números de membros, vem enfraquecendo alguns dos grandes propósitos do evangelho: a oposição à escravidão espiritual e intelectual. Vemos líderes de diferentes denominações se acusando mutuamente das mais baixas formas, seja nos púlpitos da própria denominação, seja na mídia de amplo alcance. A busca pela aniquilação moral do inimigo, como numa verdadeira guerra, claramente deixa de lado os versículo encontrados em Mt 22:39 “E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.” e em Mt 5:43-48 Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! E, se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.” Ficheiro:The badly shelled main road to Bapaume.jpg Fotografia 1. Paisagem de campo devastado pelos combates na I Guerra Mundial. De maneira semelhante, a guerra pelo controle da igreja leva à desolação espiritual. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_badly_shelled_main_road_to_Bapaume.jpg

Mas, o que há por trás dessa guerra facciosa dentro da igreja? Quais os interesses envolvidos? Quisera que o interesse fosse a pura defesa da palavra, mas, aparentemente, a luta se dá pelo controle do montante de divisas movimentado pelo “mundo evangélico” no Brasil: cerca de R$ 15 bilhões anuais. A cifra, envolvendo os dízimos, ofertas, material publicitário, livros, revistas, gastos com mídia, etc., é apenas uma parte, polpuda claro, do objeto de desejo desses lobos-pastores. O controle dos fiéis envolve também ligações sombrias com a política e a possibilidade de acesso a verbas governamentais, como é o caso da “bancada evangélica”, que será assunto de um próximo post.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2014/01/30/internas_economia,410347/mercado-evangelico-no-pais-faz-gira-r-15-bi-em-varios-segmentos.shtml

Ao observarmos o conteúdo contido no texto de At 2:44-47: “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.”, percebemos que o padrão de vida mantido pelos “grandes nomes” da igreja atual, com a aquisição de jatinhos, iates, mansões e helicópteros, absurdamente fora da realidade vivida pela ampla maioria dos fiéis, talvez indique que o texto deixado a nós por Lucas tenha, pelo menos para esses lobos-pastores, perdido a validade e substituído pela “teologia da prosperidade”, “visões” e toda “papagaiada” correlata.

Fonte: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=19339 http://noticias.gospelmais.com.br/silas-malafaia-fieis-doem-r100-mil-pagar-divida-18985.html http://padom.com.br/pastor-pede-oferta-para-concertar-seu-helicoptero-com-promessas-divina/ http://noticias.gospelmais.com.br/forbes-edir-macedo-valdemiro-santiago-silas-malafaia-lista-48467.html http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/rj-mp-denuncia-pastor-da-assembleia-de-deus-por-estelionato,397bb5efbeb50410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html http://noticias.gospelmais.com.br/lavagem-dinheiro-policia-federal-investiga-pastor-jose-wellington-66932.html

Felizmente, em Mt 24:10-13, Cristo predisse o que estaria por vir: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.”. Portanto, apesar de entristecer-nos, não nos espantemos com tais coisas, pois a luta dentro da igreja pelo controle do dinheiro e do poder que ele traz, os escândalos, traições, ódio e tudo que tem levado pessoas sérias a abandonar seus ministérios e evitado que muitos passem a se tornar igreja, fazem parte do cumprimento das escrituras. Que o remanescente fiel procure, apesar de toda oposição, não desanimar e se ater às escrituras, cumprindo uma das principais prerrogativas deixadas por Jesus aos cristãos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Mc 16:15. Que nós tenhamos a coragem de expor à sociedade os falsos evangelhos, desmitificando-os, esclarecendo a todos que a real mensagem da Boa Nova deixada por nosso Mestre é de paz, fraternidade, respeito ao próximo e amor – principalmente amor. 

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

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Noé, o filme.

Caros irmãos, que a paz seja convosco.

O filme Noé, recém lançado nos cinemas brasileiros e estrelado por Russel Crowe, Anthony Hopkins e grande elenco, vem sendo alvo de muitas críticas, principalmente por parte dos religiosos judaico-cristãos, ao afirmarem que o filme foge e manipula o teor da história bíblica, e dos religiosos islamitas, que chegaram a proibir a exibição do filme em vários países alegando propaganda judaico-cristã, vejam vocês…

Fonte:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/malasia-proibe-projecao-do-filme-noe-por-considerar-que-viola-lei-islamica

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3776980&seccao=Cinema&referrer=FooterOJ

Me espanta, na verdade, todo o celeuma a respeito desse filme. Ainda não o assisti, nem sei se assistirei, mas mesmo assim há algumas coisas que o leitor deve se atentar antes de vê-lo, ou até mesmo depois, se for o caso.

1- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Cinema é isso: ilusão. Acreditar que a indústria bilionária do cinema americano venha se ater a qualquer dogma religioso – a não ser que traga lucro – é uma ilusão ainda maior, beira a ingenuidade. Aliás, o cinema americano sempre se caracterizou pela profunda deformação das idéias contidas em um livro ao transpô-lo para a tela. Quem, depois de ler a obra de J.R.R. Tolkien assistiu à trilogia “Senhor dos Anéis”, entende o que digo. Essas alterações em relação ao original tem como um dos seus principais objetivos fazer com que a visão do diretor seja a demonstrada, não a do autor do livro.

2- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Filmes produzidos pela poderosa indústria americana são feitos para entretenimento. Feitos para a massa delirar nos efeitos especiais. Feitos para ganhar dinheiro. Para filmes que nos façam refletir de maneira mais profunda sobre a nossa realidade, temos que procurar o cinema alternativo (alguns filmes brasileiros, como “Tropa de Elite II” e filmes franceses, como “Intocáveis” talvez sejam bons exemplos). Lembre-se, filme americano = superficialidade e futilidade – quase sempre.

3- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Sabemos que debaixo do verniz de primeiro mundo, do puritanismo religioso e do moralismo, os EUA estão entre os maiores consumidores mundiais de pornografia, drogas ilícitas e drogas lícitas. Esperar que a elite da indústria cinematográfica americana venha produzir um filme “blockbuster” com comprometimento bíblico fiel, é nutrir vã esperança, é se ater à ilusões. Aliás, Hollywood é o paraíso da prostituição, das drogas, da depravação e da mentira – alguma semelhança com Gn 18-19 – Sodoma e Gomorra?

Fonte:

http://www.brasilescola.com/sociologia/narcotrafico.htm

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/america-do-norte-e-o-maior-mercado-de-drogas-do-mundo

http://www.radardofuturo.com.br/futuro/index.php/indicadores/9-uncategorised/284-indicadores-consumo-de-pornografia

4- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Não podemos sequer imaginar que qualquer filme produzido comercialmente tenha o poder de se opor teologicamente à bíblia, principalmente por carecer de respaldo acadêmico. O diretor de Noé simplesmente pegou o “fio da meada” da história bíblica de Noé, se apropriou de alguns conceitos e, provavelmente, já fez as alterações consciente da repercussão que teria ao adaptar e modificar a história para a telona. Em cinema, repercussão = dólares, muitos milhões de dólares. Aliás, o que tem sido muito bom para o estúdio, que já faturou mais de US$ 200 milhões desde o lançamento.

Fonte:

http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/estreia-de-noe-bate-recorde-de-bilheteria-no-brasil/302478

5. O filme é uma ficção Hollywoodiana… E só.

Irmãos, chega a ser dolorido de tão óbvio que as coisas feitas por aqueles que amam o mundo refletirão as suas próprias ideias. Lembremos que as manipulações de grande envergadura com o intuito de se minimizar o papel da bíblia na sociedade contemporânea não são novidades. Coisas muito maiores já foram feitas nesse sentido e manipulações ainda maiores estão por vir, tenha certeza disso. Para maiores detalhes recomendo a leitura do capítulo 24 do evangelho de Mateus.

Dar atenção à esse filme é dar atenção a quem não merece. Antes, acreditar que um filme produzido pelos mestres da mentira seja biblicamente correto chega a ser duma ingenuidade absurda, coerente apenas àqueles que “…, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” Hb 5:12-14

Como sugestão, a igreja deveria, ao invés de focar-se aos erros crassos mas não inesperados do filme, prestar atenção e se opor a perigos muito maiores, como o mau uso da Palavra por aqueles que deveriam ser seus propagadores: os mestres do engano, os lobos-pastores e falsos apóstolos… Esses causam um estrago muito maior que o filme e estão aproveitando que o interesse do povo está voltado ao mesmo para continuarem com seus subterfúgios, engodos, roubalheiras e farisaísmo.

Ps.: Dizem que apesar dos erros o filme gerou um interesse pelo relato bíblico, o que seria de se esperar. Vamos ver se esse aumento de interesse não é apenas fogo de palha.

Fonte:

http://noticias.gospelprime.com.br/filme-noe-leitura-biblia/

Que o Senhor nos abençoe conforme Sua vontade.

Os mestres do engano.

Irmaos, que a paz seja convosco

Recentemente, uma pessoa que me é bastante intima comentou que havia assistido a um DVD, onde um pastor “muito erudito, muito inteligente” aparecia ministrando um “estudo” sobre a palavra. Curioso, pedi o DVD emprestado, embora um pouco temeroso, pois havia presenciado uma pregação do mesmo pastor um dia antes quando, mais uma vez, ouvi vindo do púlpito a “história da renovação da águia”… Ao assistir ao DVD, adquirido ao fim da mesma pregação citada, infelizmente minhas suspeitas se confirmaram: apesar da aura de respeitabilidade, boa aparência, voz empostada e firme, o conteúdo não passou por um pente fino. De todos, um dos erros que mais me chamou a atenção foi a citação que o pastor, um senhor mui respeitável chamado Napoleão Falcão, fez de um texto de Flavio Josefo, afirmando que Deus, ao mandar as aves para matar a fome dos judeus em sua peregrinação pelo deserto, as mesmas formaram um amontoado com três metros de altura e quilômetros de comprimento. Infelizmente para o pastor e felizmente para mim, eu possuo a coletânea dos livros de Flávio Josefo e ao procurar tal trecho, pasmem, ele não existe.

 

Antes de continuarmos, quem foi Flavio Josefo?

Flavius Josephus, ou Yosef ben Mattitiahu, foi um historiador e apologista judaico-romano, oriundo de família riquíssima e dono de uma grande erudição. Nasceu por volta do ano 37 DC, vindo a falecer no ano 100 DC. Apesar da historia da sua vida ser controversa, é certo que acabou caindo nas graças do imperador romano Flávio Vespasiano por volta de 70 DC, vindo a viver na corte romana desde então. Seus livros contêm grande parte do conhecimento extra-bíblico que chegou até nós sobre a história dos judeus e o início da era cristã. Por ter sido um renomado erudito, considera-se, dentro dos círculos acadêmicos, fonte precisa desse período nebuloso da história.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo

http://verdade-queliberta.blogspot.com.br/2012/04/quem-foi-flavio-josefo.html

Hadas-Lebel, Mirelli. Flávio Josefo, o judeu de Roma. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1992

 

O trecho do livro Antiguidades hebraicas que cita o episódio é esse:

“Depois de uma resposta tão favorável, Moisés foi procurar o povo, o qual, julgando pelo brilho que transparecia em seu rosto que Deus havia escutado a oração, passou imediatamente da tristeza para a alegria. Moisés declarou que lhes anunciava da parte de Deus a salvação e o término de seus males. Logo depois, uma grande multidão de codornizes, aves muito comuns no estreito da Arábia, atravessou esse braço de mar. Cansadas de voar, caíram no acampamento dos hebreus. Lançaram-se então sobre as aves, o alimento que lhes era mandado por Deus em tão urgente necessidade, e Moisés agradeceu- lhe por ter cumprido tão prontamente o que lhe fora grato prometer.” In.: História dos Hebreus, Parte I, Antiguidades Hebraicas, pág 109.

Quer a obra completa de Flávio Josefo?

Disponível aqui:

e aqui:

http://fanatel.com.br/wa_files/A_20Historia_20Dos_20Hebreus.pdf

Fica óbvio, portanto, o equívoco em relação ao exposto no tal DVD. Isso tudo nos leva ao seguinte ponto: o uso de inverdades para sustentar a argumentação numa pregação. A partir desse pressuposto, podemos inferir algumas hipóteses, sendo talvez as mais pertinentes:

I – o pregador aprendeu errado e portanto apenas repete o erro, sem pesquisar se o que usa como argumento tem base sólida;

II – o pregador se aproveita da falta de esclarecimento do seu público rebanho, confiando que não será questionado em hipótese alguma (o post “Não toque no ‘ungido’ do Senhor trata desse assunto), soltando suas ideias como se fossem uma verdade revelada pelo Senhor, com voz forte, trejeitos, postura, com o intuito de atingirem maior prestígio, poder, ganhos finaceiros ou qualquer outra coisa nesse sentido.

Recomendo a leitura do capítulo 24 de Mateus e do capítulo 2 de 2Pedro para uma maior reflexão.

 

Infelizmente, é comum a transmissão/retransmissão de informações equivocadas por parte da liderança da igreja. Isso nos faz pensar sobre os critérios utilizados  pelas “faculdades” de teologia hoje em atividade no Brasil. Será que os pastores formados estão realmente inseridos em profundidade no conhecimento teológico? Qual será o efeito gerado pela multiplicação de “bacharéis”, “mestres” e “doutores” mal preparados, muitos sem mesmo o conhecimento básico da língua portuguesa, quanto mais de outras disciplinas que exigem uma dedicação maior? Veremos o aumento da presença dos “mestres do engano” em nossas igrejas? Temo que sim.

 

Cuidado meus irmãos.

Chequemos as informações a nós transmitidas.

 

Fonte:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/24

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2pe/2

 

 

 

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

“Não toque no ‘ungido’ do Senhor.”

Caros irmãos, que a paz do Senhor seja convosco.

Muitas vezes, ao presenciarmos uma pregação, lermos um texto ou ouvirmos comentários feitos pelos lobos-pastores e até mesmo por alguns (talvez até bem intencionados) irmãos que, possuidores de um pífio entendimento geral aliado a um muito equivocado conhecimento da Palavra, se portam como detentores da verdade, constatamos o desserviço prestado pelos mesmos aos ideais cristãos. Entretanto, ao expormos o desvio intencional da Palavra, as heresias e uso indevido da autoridade eclesiástica, é comum que se levantem pessoas de quaisquer denominações em defesa desses lobos-pastores e irmãos. Utilizadas como argumento definitivo ante a oposição franca e denunciosa, são proferidas frases de efeito como: “Não toque no ‘ungido’ do Senhor”, normalmente seguidas pelas seguintes admoestações: “você vai se dar mal”, “a mão de Deus vai pesar sobre você”, entre outras.

O temor apresentado pelas pessoas que fazem uso desses jargões quase sempre é sincero e é bem provável que suas raízes estejam em “E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR”  1Sm 24:6 e “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.” 1Cr 16:22 e Sl 105 15, que praticamente repete o trecho de 1Cr salientado. Antes de continuar, vejamos qual o significado de “ungido”:

ungido

un.gi.do  adj (part de ungir1 Que se ungiu. 2 Que recebeu os santos óleos. Liturg Que recebeu o sacramento da unção dos enfermos. 4 Diz-se dos reis e bispos que recebem a sagração. 5 Que recebeu as ordens sacras; ordenado. 6 Sagrado, santo. 7 Piedoso. 8 Compungido. sm Aquele que foi ungido. U. de Deus ou u. do Senhor: rei ou eclesiástico que recebeu a unção sagrada.

Fonte:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=ungido

Para aumentar a compreensão, “unção” significa:

unção

un.ção  sf (lat unctione1 Ato ou efeito de ungir. 2 Sentimento piedoso que se apodera dos corações bem formados; piedade, devoção. 3 Sentimentalismo. 4 Doçura da voz; maneira atrativa e cativante de exteriorizar os pensamentos. 5 Sagração, consagração.

Fonte:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=un%E7%E3o

Ou seja, após serem escolhidos por revelação dada aos grandes profetas, ou aos juízes de seu tempo, e tendo sido derramado óleo em sua cabeça, como citado em “Então se levantou, entrou na casa, e derramou o azeite sobre a sua cabeça, e disse: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei sobre o povo do Senhor, sobre Israel.” 2Rs 9:6, o indíviduo passava a ocupar a posição de comandante-em-chefe da nação e/ou sumo sacerdote do templo.

Entretanto, quando observamos com um pouco mais de atenção, lendo na íntegra os capítulos dos trechos acima citados e não apenas os versículos descontextualizados, notamos, entre outras coisas, que em 1Sm Davi se referiu ao fato de “tocar com a espada” o rei Saul. Deixando de lado uma interpretação “light”, o “tocar com a espada” naqueles tempos significava matar ou ferir gravemente o inimigo. É óbvio constatar que ninguém dotado de um mínimo de temor à ordenança da Palavra tem a intenção de matar ou ferir gravemente à espada seu desafeto, e Davi na ocasião apenas cumpriu o que fora esperado de um homem temente. Quanto ao outro versículo citado, 1Cr 16:22, o salmista recorda que, quando das andanças do povo de Israel pelo deserto e por países estrangeiros, seus profetas e ungidos foram protegidos contra a ação mortal do inimigo. Não se constata nas escrituras, porém, que devemos nos calar e omitir perante as falhas e desvios propositais  daqueles que foram consagrados à liderança. Pelo contrário, a bíblia tem exemplos claros de exortação: pouco tempo depois de Davi ter enviado Urias à morte, em 2Sm 11, vemos que o profeta Natã expôs o erro do rei, em público, com coragem e ousadia . O que fez Davi ser diferente dos lobos-pastores de hoje, e de muitos irmãos como os citados no início desse artigo,  foi a atitude tomada após seu erro ser exposto: ao invés de se colocar em posição de ungido, de rei, amaldiçoando a vida do profeta e ordenando sua prisão ou morte, ele imediatamente tomou consciência do mal que viria sobre sua casa e descendência, reconheceu o erro, se arrependeu, quebrantou-se e humilhou-se pelo perdão. Essa lição de humildade por parte de Davi ou não foi aprendida ou foi convenientemente deixada de lado por muitos dos líderes da igreja atual.

Séculos se passaram e a mensagem se manteve inalterada.  No Novo Testamento percebemos primeiro a preocupação de Jesus, em seguida dos seus apóstolos e discípulos, em expôr e denunciar os falsos mestres, os enganadores, os que usufruem de sua posição para espalhar um evangelho que de cristão não tem nada. Paulo dá claramente “nome aos bois” em 2Tm 2:16-18 – “Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.” Se temos que ser imitadores de Paulo, como ele foi de Cristo, devemos agir segundo o que nos foi deixado pelo apóstolo, portanto, deve-se exortar a igreja que denuncie, sim, os atos nefastos e palavras dos que conscientemente distorcem o cristianismo, enganam seu gado fonte de renda rebanho e visam apenas angariar dinheiro e poder pelo uso desses artifícios; que sejam dados nomes “aos bois”, mas, sobretudo, que essa oposição seja feita obedientemente à Palavra, fazendo uso dos preceitos da igreja bereana: conferência e pesquisa sobre a informação que é entregue, antes que se assuma a mesma como sendo verdadeira e digna de crédito. Caso contrário serão produzidas mentiras e será recebido o  salário do pecado, que “… é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.”, Rm 6:23.

Fonte:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2sm/11

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2sm/12

http://www.genizahvirtual.com/2013/04/nao-toque-no-ungido-do-senhor-debate.html

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/04/como-assim-nao-toqueis-no-ungido-do.html

Que o Senhor nos abençoe conforme Sua vontade.

Os desafios da igreja no Brasil – II – Desconstrução do mito da renovação da águia.

Caros irmãos, que a paz seja convosco!

 

“E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” 2 Tm 4:4

 

Muitos já devem ter ouvido a “história” da águia que, ao chegar aos 40 anos, fraca e quebrantada, tem que fazer uma escolha: ou opta pela morte, ou passa por um processo extremamente doloroso de transformação, onde arranca suas penas, suas unhas, quebra seu próprio bico, fica de 150 a 180 dias sem comer e ressurge como nova para viver mais 30 anos. É um texto muito utilizado em palestras motivacionais para funcionários de empresas multinacionais e/ou de grande porte, agremiações, escolas e, recentemente, tenho presenciado o seu uso em muitos cultos, pregações, eventos e vídeos doutrinários. Alguns links, entre tantos, para verificar:

http://www.youtube.com/watch?v=xuytkZvi_8w (Pregação renovação da águia)

http://www.esbocosermao.com/2011/11/renovacao-da-aguia.html (Pr. Welfany Nolasco)

Essa “história” da águia serve de base para pregações que falam sobre renovação, perseverança, sacrifício e superação. É bem legal, né? O grande problema é que toda essa “história” sobre a renovação da águia não passa de mito. Antes de prosseguirmos, vejamos qual o significado desse vocábulo:

Mito

s.m. Narrativa popular ou literária, que coloca em cena seres sobre-humanos e ações imaginárias, para as quais se faz a transposição de acontecimentos históricos, reais ou fantasiosos (desejados), ou nas quais se projetam determinados complexos individuais ou determinadas estruturas subjacentes das relações familiares.
Fig. Coisa fabulosa ou rara: a Fênix dos antigos é um mito.
Lenda, fantasia.
Fig. Coisa que não existe na realidade.

Sinônimo de mito: lenda

Fonte:http://www.dicio.com.br/mito/

É bem provável que esse mito tenha se originado ao misturar alguns versículos descontextualizados do Velho Testamento, provavelmente Sl 103:5 entre eles, com o mito da fênix grega – a isso damos o nome de sincretismo religioso, que é assunto a ser detalhado num próximo post.

O primeiro item a ser esclarecido, quando deparamos com esse mito da renovação da águia, é saber a qual espécie de águia se refere o texto. Isso porque existem cerca de 231 espécies de aves, em 65 gêneros distintos, que pertencem à família Accipitridae, englobando as águias e gaviões. O termo águia, ou gavião, é apenas o nome popular dos representantes dessas espécies, encontrando-se, às vezes, ambos os termos para um mesmo pássaro, como é o caso da Harpia brasileira (Harpia harpyia) que pode ser chamada de águia-cinzenta ou gavião-real, conforme a região onde é encontrada. Apesar de não haver um consenso, normalmente o termo “águia” se refere àquelas aves com maior porte e força. Além disso, a águia normalmente utilizada como referência em fotos ou slides sobre o mito é a águia-careca norte americana, encontrada exclusivamente na América do Norte, não ocorrendo naturalmente no Oriente Médio, palco da grande maioria das ações descritas na bíblia.

 

Imagem

Linda, não? Essa é a Haliaeetus leucocephalus, encontrada na America do Norte: Canadá, EUA e México.

 

Já no Oriente Médio e Ásia, onde hoje é situado o Estado de Israel, encontramos outras espécies de águias como a águia-imperial, cujo nome científico é Aquila heliaca.

 

ImagemEssa é a águia-imperial, Aquila heliaca, encontrada naturalmente numa extensa área que vai de Israel até a China. Linda, como quase todas as aves de rapina.

Notemos, no entanto, que nenhuma espécie de águia (e nem de quaisquer outras aves conhecidas até hoje) apresenta o comportamento descrito no mito. É certo que as espécies acima citadas podem viver até os 25-30 anos em liberdade e até os 40 em cativeiro, mas não há registro de que vivam até os 70 anos, nem que em certa época de sua vida vida essas aves optem por morrer ou passar por todo o processo listado. Aliás, o termo “opção” pressupõe um nível de consciência e reflexão intelectual que não existe nas aves de nenhuma família. Quanto à troca de penas, ela é constante nesses animais. Pelo menos uma vez por ano a maioria das penas é trocada, mas sempre aos poucos e não todas de uma vez, o que impediria o voo e consequentemente a alimentação. Isso rechaça outro aspecto do mito, pois é impossível a esses animais, que possuem altas taxas metabólicas, passar 150 dias sem se alimentar. Eles morreriam de fome por volta do oitavo dia e de sede um pouco antes disso. É verdade que os bicos e as unhas crescem indefinidamente, mas o desgaste constante com o uso natural mantém esses elementos sempre dentro dos tamanhos normais para a espécie. Casos de auto-mutilação são raríssimos e sempre relacionados com doenças e/ou estresse anormal em péssimas condições de cativeiro.

Fonte:

http://www.avesderapinabrasil.com/perguntasfrequentes;

http://www.allaboutbirds.org/;

http://www.ceo.org.br/mitos/aguia.htm;

http://diariodebiologia.com/2013/09/o-ritual-de-renovacao-da-aguia-e-verdade/#.UzwqlfldV-k

Entramos então numa outra questão: se a “história” da renovação da águia não passa de mito, lenda, invencionice, por que é utilizada nos púlpitos? Por que é propagada como sendo verdadeira, até mesmo sendo referenciada biblicamente?

É aí que sentimos a falta da atitude bereana: “E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” At 17:10-11; um saudável ceticismo, que leva a pessoa a conferir se o que ela está ouvindo condiz com a realidade ou cai na esfera dos mitos ou lendas. O analfabetismo funcional, já citado no post anterior, se torna mais uma vez um dos grandes vilões da igreja. A falta de espírito crítico, oriundo do hábito da leitura, transforma os seres humanos em pessoas que acreditam no que é dito por alguém que se porta e é tratado como “superior em conhecimento”. Aliás, muitos dos lobos-pastores, pregadores falastrões, bem vestidos e com boa oratória, se valem de sua condição para propagar ideias absurdas de cima dos púlpitos como sendo verdade divina. Esses indivíduos nefastos  são cientes da falta de conhecimento possuído pelo seu gado fonte de renda rebanho, e, tal como os falsos doutores citados em 2 Pe 2:1, “introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” Tenhamos cuidado com isso. Se Paulo se agradou da atitude bereiana, que confrontou o que ele mesmo dizia, devemos procurar agir da mesma maneira.

Para minimizar esse problema, devemos clamar à igreja que leia mais, que seja mais cuidadosa ao ouvir uma pregação, que procure se ater ao evangelho puro e simples, sem fábulas adicionadas pelo homem, pois “… não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.” 2 Pe 1:16.

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

Os desafios da igreja no Brasil – I

Caros irmãos!

 

    “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”

Mt 24:11

    Ainda que esse acontecimento tenha sido previsto há quase dois milênios, é com um misto de tristeza e apreensão que observo como os lobos vestidos de pastores estão aumentando em número e em poder, sem sequer serem confrontados pela própria igreja. Usa-se o discurso de que “em ungido não se mexe” talvez se referindo à “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.”1 Cr 16:22, ou outros versículos até mais conhecidos, como os que aparecem em 1 Sm 24. Esquece-se que estamos sob a nova aliança: “Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Lc 22:20, também demonstrado em todo o capítulo oitavo da carta aos Hebreus; que não estamos mais sob a lei mosaica e que o conceito de “ungido” se aplica agora a todo o cristão, conforme 1 Jo 2, diferentemente do conceito veterotestamentário.

   Quanto aos falsos profetas, falsos doutores e outros “sepulcros caiados”, creio que seus atos deturpados devam ser expostos, denunciados e combatidos. Cristo fez isso. Paulo fez isso. E Paulo disse que devemos ser imitadores dele como ele foi de Cristo, 1 Co 11. 

    Alguns problemas, entretanto, tornam muito difícil esse posicionamento por parte da grande maioria dos “evangélicos”, sendo talvez o analfabetismo funcional  um dos principais. Note que esse problema é endêmico da sociedade brasileira, a ponto de ter lido há pouco tempo um texto do professor Pasquale (fonte:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2014/03/1428095-o-brasil-a-rotatoria-e-os-analfabetismos.shtml) onde é citado que apenas 24% dos brasileiros conseguem ler e interpretar textos simples. Essa assombrosa afirmação pode ser em parte comprovada ao se constatar o descaso com a língua portuguesa presente na maioria das pregações, textos publicados, comentários em sites e redes sociais na internet, etc. Curiosamente, as defesas mais irracionais, belicistas e truculentas desses lobos-pastores são as que apresentam os erros mais crassos de português… Coincidência? Complicando ainda mais a situação, dada que a tradução mais tradicional da Bíblia para português, a Almeida Corrigida e Revisada Fiel, faz uso de uma forma mais culta da língua, como esperar a correta interpretação do texto bíblico? Como esperar que a pregação não esteja equivocada? Como esperar que um analfabeto funcional (lembre-se: 76% da população brasileira…) tenha recursos linguísticos e intelectuais suficientes para não cair nas presepadas, profetadas e nos engodos? Vejo que a luta para alfabetizar corretamente o povo brasileiro, o povo evangélico incluso, será uma das mais difíceis e importantes que temos pela frente, pois quem engana, ilude e escraviza, não quer que se tenha acesso à educação de qualidade, nem quer que seu gado rebanho desenvolva o pensamento crítico e pesquisador presente na longínqua igreja bereiana.  E, não por acaso, me veio à mente o produto de Miguel de Cervantes: Dom Quixote de La Mancha em sua luta eterna contra os Moinhos de Vento Gigantes… Os textos a serem publicados nesse Blog pretendem, entre tantas coisas, versar sobre esses e outros grandes problemas que afligem a igreja atual, estudando alternativas e propondo ações que alterem, ou pelo menos minimizem, o impacto nefasto que esses falsos mestres produzem em nossa sociedade.  Que Deus nos abençoe a todos, conforme Sua vontade.