Os mestres do engano.

Irmaos, que a paz seja convosco

Recentemente, uma pessoa que me é bastante intima comentou que havia assistido a um DVD, onde um pastor “muito erudito, muito inteligente” aparecia ministrando um “estudo” sobre a palavra. Curioso, pedi o DVD emprestado, embora um pouco temeroso, pois havia presenciado uma pregação do mesmo pastor um dia antes quando, mais uma vez, ouvi vindo do púlpito a “história da renovação da águia”… Ao assistir ao DVD, adquirido ao fim da mesma pregação citada, infelizmente minhas suspeitas se confirmaram: apesar da aura de respeitabilidade, boa aparência, voz empostada e firme, o conteúdo não passou por um pente fino. De todos, um dos erros que mais me chamou a atenção foi a citação que o pastor, um senhor mui respeitável chamado Napoleão Falcão, fez de um texto de Flavio Josefo, afirmando que Deus, ao mandar as aves para matar a fome dos judeus em sua peregrinação pelo deserto, as mesmas formaram um amontoado com três metros de altura e quilômetros de comprimento. Infelizmente para o pastor e felizmente para mim, eu possuo a coletânea dos livros de Flávio Josefo e ao procurar tal trecho, pasmem, ele não existe.

 

Antes de continuarmos, quem foi Flavio Josefo?

Flavius Josephus, ou Yosef ben Mattitiahu, foi um historiador e apologista judaico-romano, oriundo de família riquíssima e dono de uma grande erudição. Nasceu por volta do ano 37 DC, vindo a falecer no ano 100 DC. Apesar da historia da sua vida ser controversa, é certo que acabou caindo nas graças do imperador romano Flávio Vespasiano por volta de 70 DC, vindo a viver na corte romana desde então. Seus livros contêm grande parte do conhecimento extra-bíblico que chegou até nós sobre a história dos judeus e o início da era cristã. Por ter sido um renomado erudito, considera-se, dentro dos círculos acadêmicos, fonte precisa desse período nebuloso da história.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo

http://verdade-queliberta.blogspot.com.br/2012/04/quem-foi-flavio-josefo.html

Hadas-Lebel, Mirelli. Flávio Josefo, o judeu de Roma. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1992

 

O trecho do livro Antiguidades hebraicas que cita o episódio é esse:

“Depois de uma resposta tão favorável, Moisés foi procurar o povo, o qual, julgando pelo brilho que transparecia em seu rosto que Deus havia escutado a oração, passou imediatamente da tristeza para a alegria. Moisés declarou que lhes anunciava da parte de Deus a salvação e o término de seus males. Logo depois, uma grande multidão de codornizes, aves muito comuns no estreito da Arábia, atravessou esse braço de mar. Cansadas de voar, caíram no acampamento dos hebreus. Lançaram-se então sobre as aves, o alimento que lhes era mandado por Deus em tão urgente necessidade, e Moisés agradeceu- lhe por ter cumprido tão prontamente o que lhe fora grato prometer.” In.: História dos Hebreus, Parte I, Antiguidades Hebraicas, pág 109.

Quer a obra completa de Flávio Josefo?

Disponível aqui:

e aqui:

http://fanatel.com.br/wa_files/A_20Historia_20Dos_20Hebreus.pdf

Fica óbvio, portanto, o equívoco em relação ao exposto no tal DVD. Isso tudo nos leva ao seguinte ponto: o uso de inverdades para sustentar a argumentação numa pregação. A partir desse pressuposto, podemos inferir algumas hipóteses, sendo talvez as mais pertinentes:

I – o pregador aprendeu errado e portanto apenas repete o erro, sem pesquisar se o que usa como argumento tem base sólida;

II – o pregador se aproveita da falta de esclarecimento do seu público rebanho, confiando que não será questionado em hipótese alguma (o post “Não toque no ‘ungido’ do Senhor trata desse assunto), soltando suas ideias como se fossem uma verdade revelada pelo Senhor, com voz forte, trejeitos, postura, com o intuito de atingirem maior prestígio, poder, ganhos finaceiros ou qualquer outra coisa nesse sentido.

Recomendo a leitura do capítulo 24 de Mateus e do capítulo 2 de 2Pedro para uma maior reflexão.

 

Infelizmente, é comum a transmissão/retransmissão de informações equivocadas por parte da liderança da igreja. Isso nos faz pensar sobre os critérios utilizados  pelas “faculdades” de teologia hoje em atividade no Brasil. Será que os pastores formados estão realmente inseridos em profundidade no conhecimento teológico? Qual será o efeito gerado pela multiplicação de “bacharéis”, “mestres” e “doutores” mal preparados, muitos sem mesmo o conhecimento básico da língua portuguesa, quanto mais de outras disciplinas que exigem uma dedicação maior? Veremos o aumento da presença dos “mestres do engano” em nossas igrejas? Temo que sim.

 

Cuidado meus irmãos.

Chequemos as informações a nós transmitidas.

 

Fonte:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/24

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2pe/2

 

 

 

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

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