Noé, o filme.

Caros irmãos, que a paz seja convosco.

O filme Noé, recém lançado nos cinemas brasileiros e estrelado por Russel Crowe, Anthony Hopkins e grande elenco, vem sendo alvo de muitas críticas, principalmente por parte dos religiosos judaico-cristãos, ao afirmarem que o filme foge e manipula o teor da história bíblica, e dos religiosos islamitas, que chegaram a proibir a exibição do filme em vários países alegando propaganda judaico-cristã, vejam vocês…

Fonte:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/malasia-proibe-projecao-do-filme-noe-por-considerar-que-viola-lei-islamica

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3776980&seccao=Cinema&referrer=FooterOJ

Me espanta, na verdade, todo o celeuma a respeito desse filme. Ainda não o assisti, nem sei se assistirei, mas mesmo assim há algumas coisas que o leitor deve se atentar antes de vê-lo, ou até mesmo depois, se for o caso.

1- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Cinema é isso: ilusão. Acreditar que a indústria bilionária do cinema americano venha se ater a qualquer dogma religioso – a não ser que traga lucro – é uma ilusão ainda maior, beira a ingenuidade. Aliás, o cinema americano sempre se caracterizou pela profunda deformação das idéias contidas em um livro ao transpô-lo para a tela. Quem, depois de ler a obra de J.R.R. Tolkien assistiu à trilogia “Senhor dos Anéis”, entende o que digo. Essas alterações em relação ao original tem como um dos seus principais objetivos fazer com que a visão do diretor seja a demonstrada, não a do autor do livro.

2- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Filmes produzidos pela poderosa indústria americana são feitos para entretenimento. Feitos para a massa delirar nos efeitos especiais. Feitos para ganhar dinheiro. Para filmes que nos façam refletir de maneira mais profunda sobre a nossa realidade, temos que procurar o cinema alternativo (alguns filmes brasileiros, como “Tropa de Elite II” e filmes franceses, como “Intocáveis” talvez sejam bons exemplos). Lembre-se, filme americano = superficialidade e futilidade – quase sempre.

3- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Sabemos que debaixo do verniz de primeiro mundo, do puritanismo religioso e do moralismo, os EUA estão entre os maiores consumidores mundiais de pornografia, drogas ilícitas e drogas lícitas. Esperar que a elite da indústria cinematográfica americana venha produzir um filme “blockbuster” com comprometimento bíblico fiel, é nutrir vã esperança, é se ater à ilusões. Aliás, Hollywood é o paraíso da prostituição, das drogas, da depravação e da mentira – alguma semelhança com Gn 18-19 – Sodoma e Gomorra?

Fonte:

http://www.brasilescola.com/sociologia/narcotrafico.htm

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/america-do-norte-e-o-maior-mercado-de-drogas-do-mundo

http://www.radardofuturo.com.br/futuro/index.php/indicadores/9-uncategorised/284-indicadores-consumo-de-pornografia

4- O filme é uma ficção Hollywoodiana. Não podemos sequer imaginar que qualquer filme produzido comercialmente tenha o poder de se opor teologicamente à bíblia, principalmente por carecer de respaldo acadêmico. O diretor de Noé simplesmente pegou o “fio da meada” da história bíblica de Noé, se apropriou de alguns conceitos e, provavelmente, já fez as alterações consciente da repercussão que teria ao adaptar e modificar a história para a telona. Em cinema, repercussão = dólares, muitos milhões de dólares. Aliás, o que tem sido muito bom para o estúdio, que já faturou mais de US$ 200 milhões desde o lançamento.

Fonte:

http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/estreia-de-noe-bate-recorde-de-bilheteria-no-brasil/302478

5. O filme é uma ficção Hollywoodiana… E só.

Irmãos, chega a ser dolorido de tão óbvio que as coisas feitas por aqueles que amam o mundo refletirão as suas próprias ideias. Lembremos que as manipulações de grande envergadura com o intuito de se minimizar o papel da bíblia na sociedade contemporânea não são novidades. Coisas muito maiores já foram feitas nesse sentido e manipulações ainda maiores estão por vir, tenha certeza disso. Para maiores detalhes recomendo a leitura do capítulo 24 do evangelho de Mateus.

Dar atenção à esse filme é dar atenção a quem não merece. Antes, acreditar que um filme produzido pelos mestres da mentira seja biblicamente correto chega a ser duma ingenuidade absurda, coerente apenas àqueles que “…, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” Hb 5:12-14

Como sugestão, a igreja deveria, ao invés de focar-se aos erros crassos mas não inesperados do filme, prestar atenção e se opor a perigos muito maiores, como o mau uso da Palavra por aqueles que deveriam ser seus propagadores: os mestres do engano, os lobos-pastores e falsos apóstolos… Esses causam um estrago muito maior que o filme e estão aproveitando que o interesse do povo está voltado ao mesmo para continuarem com seus subterfúgios, engodos, roubalheiras e farisaísmo.

Ps.: Dizem que apesar dos erros o filme gerou um interesse pelo relato bíblico, o que seria de se esperar. Vamos ver se esse aumento de interesse não é apenas fogo de palha.

Fonte:

http://noticias.gospelprime.com.br/filme-noe-leitura-biblia/

Que o Senhor nos abençoe conforme Sua vontade.

“Não toque no ‘ungido’ do Senhor.”

Caros irmãos, que a paz do Senhor seja convosco.

Muitas vezes, ao presenciarmos uma pregação, lermos um texto ou ouvirmos comentários feitos pelos lobos-pastores e até mesmo por alguns (talvez até bem intencionados) irmãos que, possuidores de um pífio entendimento geral aliado a um muito equivocado conhecimento da Palavra, se portam como detentores da verdade, constatamos o desserviço prestado pelos mesmos aos ideais cristãos. Entretanto, ao expormos o desvio intencional da Palavra, as heresias e uso indevido da autoridade eclesiástica, é comum que se levantem pessoas de quaisquer denominações em defesa desses lobos-pastores e irmãos. Utilizadas como argumento definitivo ante a oposição franca e denunciosa, são proferidas frases de efeito como: “Não toque no ‘ungido’ do Senhor”, normalmente seguidas pelas seguintes admoestações: “você vai se dar mal”, “a mão de Deus vai pesar sobre você”, entre outras.

O temor apresentado pelas pessoas que fazem uso desses jargões quase sempre é sincero e é bem provável que suas raízes estejam em “E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR”  1Sm 24:6 e “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.” 1Cr 16:22 e Sl 105 15, que praticamente repete o trecho de 1Cr salientado. Antes de continuar, vejamos qual o significado de “ungido”:

ungido

un.gi.do  adj (part de ungir1 Que se ungiu. 2 Que recebeu os santos óleos. Liturg Que recebeu o sacramento da unção dos enfermos. 4 Diz-se dos reis e bispos que recebem a sagração. 5 Que recebeu as ordens sacras; ordenado. 6 Sagrado, santo. 7 Piedoso. 8 Compungido. sm Aquele que foi ungido. U. de Deus ou u. do Senhor: rei ou eclesiástico que recebeu a unção sagrada.

Fonte:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=ungido

Para aumentar a compreensão, “unção” significa:

unção

un.ção  sf (lat unctione1 Ato ou efeito de ungir. 2 Sentimento piedoso que se apodera dos corações bem formados; piedade, devoção. 3 Sentimentalismo. 4 Doçura da voz; maneira atrativa e cativante de exteriorizar os pensamentos. 5 Sagração, consagração.

Fonte:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=un%E7%E3o

Ou seja, após serem escolhidos por revelação dada aos grandes profetas, ou aos juízes de seu tempo, e tendo sido derramado óleo em sua cabeça, como citado em “Então se levantou, entrou na casa, e derramou o azeite sobre a sua cabeça, e disse: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei sobre o povo do Senhor, sobre Israel.” 2Rs 9:6, o indíviduo passava a ocupar a posição de comandante-em-chefe da nação e/ou sumo sacerdote do templo.

Entretanto, quando observamos com um pouco mais de atenção, lendo na íntegra os capítulos dos trechos acima citados e não apenas os versículos descontextualizados, notamos, entre outras coisas, que em 1Sm Davi se referiu ao fato de “tocar com a espada” o rei Saul. Deixando de lado uma interpretação “light”, o “tocar com a espada” naqueles tempos significava matar ou ferir gravemente o inimigo. É óbvio constatar que ninguém dotado de um mínimo de temor à ordenança da Palavra tem a intenção de matar ou ferir gravemente à espada seu desafeto, e Davi na ocasião apenas cumpriu o que fora esperado de um homem temente. Quanto ao outro versículo citado, 1Cr 16:22, o salmista recorda que, quando das andanças do povo de Israel pelo deserto e por países estrangeiros, seus profetas e ungidos foram protegidos contra a ação mortal do inimigo. Não se constata nas escrituras, porém, que devemos nos calar e omitir perante as falhas e desvios propositais  daqueles que foram consagrados à liderança. Pelo contrário, a bíblia tem exemplos claros de exortação: pouco tempo depois de Davi ter enviado Urias à morte, em 2Sm 11, vemos que o profeta Natã expôs o erro do rei, em público, com coragem e ousadia . O que fez Davi ser diferente dos lobos-pastores de hoje, e de muitos irmãos como os citados no início desse artigo,  foi a atitude tomada após seu erro ser exposto: ao invés de se colocar em posição de ungido, de rei, amaldiçoando a vida do profeta e ordenando sua prisão ou morte, ele imediatamente tomou consciência do mal que viria sobre sua casa e descendência, reconheceu o erro, se arrependeu, quebrantou-se e humilhou-se pelo perdão. Essa lição de humildade por parte de Davi ou não foi aprendida ou foi convenientemente deixada de lado por muitos dos líderes da igreja atual.

Séculos se passaram e a mensagem se manteve inalterada.  No Novo Testamento percebemos primeiro a preocupação de Jesus, em seguida dos seus apóstolos e discípulos, em expôr e denunciar os falsos mestres, os enganadores, os que usufruem de sua posição para espalhar um evangelho que de cristão não tem nada. Paulo dá claramente “nome aos bois” em 2Tm 2:16-18 – “Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.” Se temos que ser imitadores de Paulo, como ele foi de Cristo, devemos agir segundo o que nos foi deixado pelo apóstolo, portanto, deve-se exortar a igreja que denuncie, sim, os atos nefastos e palavras dos que conscientemente distorcem o cristianismo, enganam seu gado fonte de renda rebanho e visam apenas angariar dinheiro e poder pelo uso desses artifícios; que sejam dados nomes “aos bois”, mas, sobretudo, que essa oposição seja feita obedientemente à Palavra, fazendo uso dos preceitos da igreja bereana: conferência e pesquisa sobre a informação que é entregue, antes que se assuma a mesma como sendo verdadeira e digna de crédito. Caso contrário serão produzidas mentiras e será recebido o  salário do pecado, que “… é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.”, Rm 6:23.

Fonte:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2sm/11

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2sm/12

http://www.genizahvirtual.com/2013/04/nao-toque-no-ungido-do-senhor-debate.html

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/04/como-assim-nao-toqueis-no-ungido-do.html

Que o Senhor nos abençoe conforme Sua vontade.