Quero a glória para mim!

Paz do Senhor, meus irmãos.

“Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra.” Is 42:8

A igreja evangélica no Brasil vive um momento ímpar e curioso. Parafraseando o ex-presidente Lula, ‘nunca antes na história desse país´ houve um número tão grande de evangélicos, seja em números absolutos ou relativos, nem uma presença política tão expressiva desse grupo no congresso. Ainda assim, ao mesmo tempo que a comunidade evangélica experimenta um aumento significativo em sua representatividade social, apresenta pífias contribuições para melhoras em questões como educação, violência e corrupção – detalhes sobre alguns dos motivos que impedem uma atuação mais efetiva da igreja foram salientados no post anterior: ‘O “jeitinho brasileiro” de ser cristão´.

Entretanto, outro fator que pode jogar um pouco de luz sobre a condição de inércia e letargia que a igreja enfrenta é a percepção de que vem ocorrendo uma mudança lenta, inexorável e nem sempre sutil da glorificação à Deus para a glorificação do homem, do culto à Deus ao culto à personalidade. Antes de continuarmos, o que vem a ser o culto à personalidade?

Alberto Goldman, em seu blog, define de maneira interessante o culto à personalidade:

O culto à personalidade, em vida ou após a morte, quaisquer que tenham sido suas ações, isto é, a elevação de um ser humano à categoria de ser superior, significa algo mais que respeito e  admiração.  Significa a mediocridade do cultor, a incompreensão das limitações e das fraquezas de qualquer ser humano, a inevitabilidade de ter mostrado, em sua vida, o bom e o mal.  Significa não procurar compreender situações concretas em que essa pessoa nasceu e viveu, a realidade de sua vida em sociedade, as suas relações com os demais seres e a conjuntura que lhe permitiu ser o que é, ou foi.

Fonte: http://albertogoldman.org/blog/culto-a-personalidade

Ou seja: o culto à personalidade (esse termo apareceu pela primeira vez numa declaração de Nikita Kruschev sobre Stalin numa reunião do PCUS, fonte: http://www.museudeimagens.com.br/nikita-khrushchev-josef-stalin/, onde foi denunciado o efeito deletério de tal atitude) eleva o ser humano – falho e pecador que é – para patamares acima do bem e do mal, colocando-o num pedestal de superioridade em relação aos demais.

Fica óbvio perceber que quando uma pessoa atinge tal posição de fama e prestígio, ainda citando Goldman, via de regra…

… esse culto à personalidade se transforma em instrumento para manter e prolongar algum tipo de dominação que é exercida sobre pessoas mais simples e mais influenciáveis, em benefício de projetos políticos de poder.

Lembrando que projeto político aqui pode ser traduzido como qualquer ação que exija interação interpessoal para que se atinja um dado interesse, notadamente que envolva dinheiro e o poder que o mesmo traz.

Não é de hoje que a bajulação, a soberba e busca pelo poder atingem a igreja, aliás a primeira e a mais importante queda, a de Satanás, foi devida a esses motivos. Várias passagens da bíblia também relatam o que aconteceu aos personagens que não resistiram à soberba e a tentação do culto à personalidade, vide 1 Samuel 17:42-51Ester 3:5,6; Atos 12:1-3,  e num passado recente grandes tragédias aconteceram por conta dos mesmos e antigos erros, como o caso do suicídio massal em Jonestown, na Guiana, promovido por Jim Jones do “Templo dos Povos: Igreja Cristã do Evangelho Pleno”. Fonte: pt.wikipedia.org/?title=Jim_Jones

É certo que o culto à personalidade (ainda) não atingiu níveis de danos tão horrendos no Brasil, mas é notório que se faz cada vez mais presente e arraigado dentro da cultura evangélica verde-amarela, facilmente perceptível em áreas de ampla divulgação midiática, como a musical.

Chega a ser chocante constatar que cantores e músicos cobrem cachês que podem chegar aos 250.000 reais por “show” (e por favor, não me venham com o papo que um show tem custos logísticos com equipamento, estruturas e montagem, pois esse valor é apenas o cachê dos músicos. Dentro do contrato exige-se que todas as despesas com transporte e estrutura sejam bancados pelo contratante. Fonte: http://blogdobg.com.br/prefeitura-banca-estrutura-e-cache-para-diante-do-trono/http://cadaminuto.com.br/noticia/2012/12/15/aniversario-de-maceio-prefeitura-esquece-cultura-local-e-paga-para-show-gospelhttp://acritica.uol.com.br/noticias/Amazonia-Amazonas-Superfaturamento-Reveillon-Gospel-Manaus_0_628137223.html?commentsPage=1).

A questão aqui não é apenas o valor do cachê, que por si só já é absurdo (lembremos que valor do cachê não significa qualidade musical nem tem relação com a história de vida dos integrantes, vide quanto ganham esses “cantores” pseudosertanejos que vemos por aí). Muitos poderão pensar ou dizer que muita gente foi influenciada positivamente pelas músicas de muitos desses cantores/grupos “gospel” e que tem, sim, que cobrar o cachê alto porque merecem o reconhecimento pela obra. Pergunto então: qual terá sido o “cachê” que Paulo cobrou/mereceu em suas ministrações? Ou mais fundo ainda, quanto que Cristo cobrou e quais as exigências materiais que Ele fez para levar Sua palavra? Em Mt 8:20, Cristo fala que não tem nem onde reclinar a cabeça:

E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

… e em Mc 10: 42-45:

Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles;
Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal;
E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

Afinal, penso que se a questão for merecimento não devemos ganhar nada, pois não somos merecedores nem da graça divina, o que foi muito bem explanado no texto do Pr. Hernandes Dias Lopes, cujo link segue: http://ipbvit.org.br/2011/10/17/a-graca-de-deus-favor-imerecido/.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8-10), é o alerta que Paulo fez aos Efésios e que continua válido até hoje.

Voltando diretamente à questão do culto à personalidade, fica mais fácil perceber que o foco de “grandes nomes” do mundo evangélico (incongruente esse termo, pois grande deveria ser apenas o nome do Senhor) é cada vez maior em si próprios que no criador ao observarmos seus sites na internet: fotografias exaltando-os, biografias exaltando-os, venda de jóias, venda de artigos religiosos, roupas, acessórios de moda, discos, dvd´s, entre outras coisas, tudo isso consumido avidamente e defendido com unhas e dentes por uma legião de fãs… Mas é difícil encontrar nos sites apenas um pequeno texto ou vídeo relativo à Palavra e em alguns deles NÃO HÁ sequer UMA ÚNICA passagem da bíblia, nem qualquer outro sinal de foco em Deus, apenas foco no eu sou, eu tenho, eu posso, eu faço, eu, eu, eu, eu, eu, eu…

Convido aos irmãos a visitarem os sites abaixo e constatarem por si mesmo onde está o foco e à quem aparentemente está sendo dirigida a glória:

http://www.alinebarros.com.br/site/

http://www.diantedotrono.com/

http://darajoias.com.br/diantedotrono/

http://www.fernandabrum.com.br/

http://www.fazchover.com.br/novosite/

http://lojathallesroberto.com.br/

Até cruzeiro marítimo gospel tem: http://www.cruzeirosgospel.com.br/publico/. Nada contra a ideia de se encher um navio com pessoas que queiram literalmente ficar ilhados do mundo e ouvir a palavra do Senhor, muito pelo contrario! Mas quando o cruzeiro, realizado num navio nababescamente luxuoso recebe o nome de “Cruzeiro com Fernandinho” e “Cruzeiro com Fernanda Brum”, a coisa se torna marketeira demais, mundana demais. Porque não “Cruzeiro com Jesus” ou “Cruzeiro para morrer para o mundo e viver em Cristo”? Será que não vende ingresso? Será que o nome desses artistas vale mais que o nome de Cristo? A quem é direcionada a honra e a glória?

Para uma reflexão mais profunda, deixo o texto encontrado em 2Cr 26:1-22, que relata a história do rei Uzias, que começou a vida humilde e ajudado pelo Senhor, mas se perdeu no caminho por conta da soberba:

Então todo o povo tomou a Uzias, que tinha dezesseis anos, e o fizeram rei em lugar de Amazias seu pai.
Este edificou a Elote, e a restituiu a Judá, depois que o rei dormiu com seus pais.
Tinha Uzias dezesseis anos quando começou a reinar, e cinqüenta e dois anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Jecolia, de Jerusalém.
E fez o que era reto aos olhos do Senhor; conforme a tudo o que fizera Amazias seu pai.
Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era entendido nas visões de Deus; e nos dias em que buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar.
Porque saiu e guerreou contra os filisteus, e quebrou o muro de Gate, o muro de Jabne, e o muro de Asdode; e edificou cidades em Asdode, e entre os filisteus.
E Deus o ajudou contra os filisteus e contra os árabes que habitavam em Gur-Baal, e contra os meunitas.
E os amonitas deram presentes a Uzias; e o seu nome foi espalhado até à entrada do Egito, porque se fortificou altamente.
Também Uzias edificou torres em Jerusalém, à porta da esquina, e à porta do vale, e à porta do ângulo, e as fortificou.
Também edificou torres no deserto, e cavou muitos poços, porque tinha muito gado, tanto nos vales como nas campinas; tinha lavradores, e vinhateiros, nos montes e nos campos férteis; porque era amigo da agricultura.
Tinha também Uzias um exército de homens destros na guerra, que saíam à guerra em tropas, segundo o número da resenha feita por mão de Jeiel, o escrivão, e Maaséias, oficial, sob a direção de Hananias, um dos capitàes do rei.
O total dos chefes dos pais, homens valentes, era de dois mil e seiscentos.
E debaixo das suas ordens havia um exército guerreiro de trezentos e sete mil e quinhentos homens, que faziam a guerra com força belicosa, para ajudar o rei contra os inimigos.
E preparou Uzias, para todo o exército, escudos, lanças, capacetes, couraças e arcos, e até fundas para atirar pedras.
Também fez em Jerusalém máquinas da invenção de engenheiros, que estivessem nas torres e nos cantos, para atirarem flechas e grandes pedras; e propagou a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se fortificou.
Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso.
Porém o sacerdote Azarias entrou após ele, e com ele oitenta sacerdotes do Senhor, homens valentes.
E resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para queimar incenso; sai do santuário, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da parte do Senhor Deus.
Então Uzias se indignou; e tinha o incensário na sua mão para queimar incenso. Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso.
Então o sumo sacerdote Azarias olhou para ele, como também todos os sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa, e apressuradamente o lançaram fora; e até ele mesmo se deu pressa a sair, visto que o Senhor o ferira.
Assim ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da casa do Senhor. E Jotão, seu filho, tinha o encargo da casa do rei, julgando o povo da terra.
Quanto ao mais dos atos de Uzias, tanto os primeiros como os últimos, o profeta Isaías, filho de Amós, o escreveu.

Que o Senhor tenha misericórdia de Seu povo.

O “jeitinho brasileiro” de ser cristão.

A paz do Senhor, meus irmãos

É bem provável que todos nós já tenhamos nos deparados vez ou outra com a expressão “jeitinho brasileiro” e, caso o leitor esteja em solo brasileiro há mais de 3 minutos, indubitavelmente já experimentou, seja passiva ou ativamente, tal característica intrínseca da cultura verde-amarela. Mas o que vem a ser exatamente tal “jeitinho”? Dentre as muitas definições encontradas em literatura, uma que talvez exprima de maneira sucinta seja a encontrada no trabalho de Motta e Alcadipani (1999):

“O `jeitinho brasileiro´ é o genuíno processo brasileiro de uma pessoa atingir objetivos a despeito de determinações (leis, normas, regras, ordens etc.) contrárias.”

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rae/v39n1/v39n1a02.pdf

Fica claro, também exposto em literatura, dessa feita em trabalho de Vieira et al (1982), que tal “jeitinho” contém características interessantes como a criatividade e maneiras mais “soft” de se lidar com o imprevisto e que essa característica cultural vem sendo construída através dos séculos de brutais desigualdades sociais e de burocracia kafkiana que vem assolando essa nação. Entretanto, ao mesmo tempo que o “jeitinho” foi a maneira encontrada pela população de contornar tamanha desigualdade, ele também é um dos motivos de não se conseguir atingir patamares maiores de desenvolvimento econômico, social, cultural e espiritual, dado que salvo exceções, o que impera é a lei da vantagem e benefício próprio em detrimento de outrem.

Fonte: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/11440/10392http://scienceblogs.com.br/socialmente/2012/08/e-jeitinho-brasileiro/

Infelizmente, observa-se com tristeza que dentro da igreja cristã brasileira os aspectos mais nefastos do tal “jeitinho” se fazem presentes em peso. É um tremendo paradoxo verificar que o país com o segundo maior contingente populacional que se denomina cristão no planeta (com mais de 165 milhões de cristãos, ficando atrás apenas dos EUA) é o 11º país mais inseguro do mundo, o 69º mais corrupto e apresenta alguns dos piores índices de educação do planeta. Torna-se patente que algo muito errado está acontecendo, trazendo para dentro do contexto deste post a pergunta: que tipo de cristão é o cristão brasileiro?

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/brasil-e-o-11-pais-mais-inseguro-do-mundo-no-indice-de-progresso-social.htmlhttp://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-ibge-e-a-religiao-%E2%80%93-cristaos-sao-868-do-brasil-catolicos-caem-para-646-evangelicos-ja-sao-222/http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/brasil-ocupa-69%C2%BA-lugar-no-indice-de-percepcao-da-corrupcao/

Uma das respostas a essa pergunta foi me dada ontem, num culto na igreja onde congrego, quando o pastor preletor da noite (Pr. Renan Soares de Lima) salientou um aspecto da passagem do evangelho de Lucas, capítulo 15:25-32, que me fez refletir um bocado. Nesse texto se relata a reação do irmão do filho pródigo ao perceber a festa que o Pai fizera para recebê-lo quando do seu retorno:

“E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar.
E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.”

Nessa passagem, o Pr. Renan salientou o seguinte aspecto: apesar de ter vivido sempre na casa do pai, “obediente e fiel”, o irmão do filho pródigo não estava ali por causa do Pai, por querer conviver com o Pai, pela alegria em estar na presença do Pai… Estava, sim, interessado nas coisas que o Pai tinha para ele, nos bens materiais, nas bençãos e no benefício próprio: “Que se dane o irmão que estava perdido e voltou! Eu quero a benção, eu quero os bens, eu quero a herança para curtir com os amigos!”.

Esse, meus irmãos, é o “jeitinho brasileiro” dentro da igreja em sua pior forma: é o estar na casa do Pai e querer a benção, querer as coisas que o pai tem para si e só para si, é um dos motivos que faz o segundo país mais “cristão” do planeta viver nesse caos. É o querer levar vantagem em tudo, é o entortar-se a Palavra para se pregar o acúmulo de riqueza material, é o esquecer-se das regras instituídas a custo de sangue e martírio e lembrar-se apenas do que interessa para sustentar jatinhos e mansões e sonhos de posse material, é o cobrar fortunas para “louvar a Deus”, é o gritar “Glória a Deus e Aleluia” nas igrejas e virar a cara ao passar por um indigente na rua, é o “amar a si mesmo” e esquecer-se do “próximo”, é o esquecer-se o temor, é o esquecer-se o Amor.
Esse, meus irmãos, é o “jeitinho brasileiro” de ser cristão.

Que Deus tenha misericórdia de Seu povo.

A igreja em guerra.

Caros irmãos, que a paz seja convosco.

Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” 1 Tm 6:10,11

Atualmente, talvez sem paralelo na história cristã, a igreja vem sofrendo, dentro de seu próprio quadro, cismas e enfrentamentos que, paradoxalmente ao crescimento do números de membros, vem enfraquecendo alguns dos grandes propósitos do evangelho: a oposição à escravidão espiritual e intelectual. Vemos líderes de diferentes denominações se acusando mutuamente das mais baixas formas, seja nos púlpitos da própria denominação, seja na mídia de amplo alcance. A busca pela aniquilação moral do inimigo, como numa verdadeira guerra, claramente deixa de lado os versículo encontrados em Mt 22:39 “E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.” e em Mt 5:43-48 Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! E, se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.” Ficheiro:The badly shelled main road to Bapaume.jpg Fotografia 1. Paisagem de campo devastado pelos combates na I Guerra Mundial. De maneira semelhante, a guerra pelo controle da igreja leva à desolação espiritual. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_badly_shelled_main_road_to_Bapaume.jpg

Mas, o que há por trás dessa guerra facciosa dentro da igreja? Quais os interesses envolvidos? Quisera que o interesse fosse a pura defesa da palavra, mas, aparentemente, a luta se dá pelo controle do montante de divisas movimentado pelo “mundo evangélico” no Brasil: cerca de R$ 15 bilhões anuais. A cifra, envolvendo os dízimos, ofertas, material publicitário, livros, revistas, gastos com mídia, etc., é apenas uma parte, polpuda claro, do objeto de desejo desses lobos-pastores. O controle dos fiéis envolve também ligações sombrias com a política e a possibilidade de acesso a verbas governamentais, como é o caso da “bancada evangélica”, que será assunto de um próximo post.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2014/01/30/internas_economia,410347/mercado-evangelico-no-pais-faz-gira-r-15-bi-em-varios-segmentos.shtml

Ao observarmos o conteúdo contido no texto de At 2:44-47: “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.”, percebemos que o padrão de vida mantido pelos “grandes nomes” da igreja atual, com a aquisição de jatinhos, iates, mansões e helicópteros, absurdamente fora da realidade vivida pela ampla maioria dos fiéis, talvez indique que o texto deixado a nós por Lucas tenha, pelo menos para esses lobos-pastores, perdido a validade e substituído pela “teologia da prosperidade”, “visões” e toda “papagaiada” correlata.

Fonte: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=19339 http://noticias.gospelmais.com.br/silas-malafaia-fieis-doem-r100-mil-pagar-divida-18985.html http://padom.com.br/pastor-pede-oferta-para-concertar-seu-helicoptero-com-promessas-divina/ http://noticias.gospelmais.com.br/forbes-edir-macedo-valdemiro-santiago-silas-malafaia-lista-48467.html http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/rj-mp-denuncia-pastor-da-assembleia-de-deus-por-estelionato,397bb5efbeb50410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html http://noticias.gospelmais.com.br/lavagem-dinheiro-policia-federal-investiga-pastor-jose-wellington-66932.html

Felizmente, em Mt 24:10-13, Cristo predisse o que estaria por vir: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.”. Portanto, apesar de entristecer-nos, não nos espantemos com tais coisas, pois a luta dentro da igreja pelo controle do dinheiro e do poder que ele traz, os escândalos, traições, ódio e tudo que tem levado pessoas sérias a abandonar seus ministérios e evitado que muitos passem a se tornar igreja, fazem parte do cumprimento das escrituras. Que o remanescente fiel procure, apesar de toda oposição, não desanimar e se ater às escrituras, cumprindo uma das principais prerrogativas deixadas por Jesus aos cristãos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Mc 16:15. Que nós tenhamos a coragem de expor à sociedade os falsos evangelhos, desmitificando-os, esclarecendo a todos que a real mensagem da Boa Nova deixada por nosso Mestre é de paz, fraternidade, respeito ao próximo e amor – principalmente amor. 

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

Os mestres do engano.

Irmaos, que a paz seja convosco

Recentemente, uma pessoa que me é bastante intima comentou que havia assistido a um DVD, onde um pastor “muito erudito, muito inteligente” aparecia ministrando um “estudo” sobre a palavra. Curioso, pedi o DVD emprestado, embora um pouco temeroso, pois havia presenciado uma pregação do mesmo pastor um dia antes quando, mais uma vez, ouvi vindo do púlpito a “história da renovação da águia”… Ao assistir ao DVD, adquirido ao fim da mesma pregação citada, infelizmente minhas suspeitas se confirmaram: apesar da aura de respeitabilidade, boa aparência, voz empostada e firme, o conteúdo não passou por um pente fino. De todos, um dos erros que mais me chamou a atenção foi a citação que o pastor, um senhor mui respeitável chamado Napoleão Falcão, fez de um texto de Flavio Josefo, afirmando que Deus, ao mandar as aves para matar a fome dos judeus em sua peregrinação pelo deserto, as mesmas formaram um amontoado com três metros de altura e quilômetros de comprimento. Infelizmente para o pastor e felizmente para mim, eu possuo a coletânea dos livros de Flávio Josefo e ao procurar tal trecho, pasmem, ele não existe.

 

Antes de continuarmos, quem foi Flavio Josefo?

Flavius Josephus, ou Yosef ben Mattitiahu, foi um historiador e apologista judaico-romano, oriundo de família riquíssima e dono de uma grande erudição. Nasceu por volta do ano 37 DC, vindo a falecer no ano 100 DC. Apesar da historia da sua vida ser controversa, é certo que acabou caindo nas graças do imperador romano Flávio Vespasiano por volta de 70 DC, vindo a viver na corte romana desde então. Seus livros contêm grande parte do conhecimento extra-bíblico que chegou até nós sobre a história dos judeus e o início da era cristã. Por ter sido um renomado erudito, considera-se, dentro dos círculos acadêmicos, fonte precisa desse período nebuloso da história.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo

http://verdade-queliberta.blogspot.com.br/2012/04/quem-foi-flavio-josefo.html

Hadas-Lebel, Mirelli. Flávio Josefo, o judeu de Roma. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1992

 

O trecho do livro Antiguidades hebraicas que cita o episódio é esse:

“Depois de uma resposta tão favorável, Moisés foi procurar o povo, o qual, julgando pelo brilho que transparecia em seu rosto que Deus havia escutado a oração, passou imediatamente da tristeza para a alegria. Moisés declarou que lhes anunciava da parte de Deus a salvação e o término de seus males. Logo depois, uma grande multidão de codornizes, aves muito comuns no estreito da Arábia, atravessou esse braço de mar. Cansadas de voar, caíram no acampamento dos hebreus. Lançaram-se então sobre as aves, o alimento que lhes era mandado por Deus em tão urgente necessidade, e Moisés agradeceu- lhe por ter cumprido tão prontamente o que lhe fora grato prometer.” In.: História dos Hebreus, Parte I, Antiguidades Hebraicas, pág 109.

Quer a obra completa de Flávio Josefo?

Disponível aqui:

e aqui:

http://fanatel.com.br/wa_files/A_20Historia_20Dos_20Hebreus.pdf

Fica óbvio, portanto, o equívoco em relação ao exposto no tal DVD. Isso tudo nos leva ao seguinte ponto: o uso de inverdades para sustentar a argumentação numa pregação. A partir desse pressuposto, podemos inferir algumas hipóteses, sendo talvez as mais pertinentes:

I – o pregador aprendeu errado e portanto apenas repete o erro, sem pesquisar se o que usa como argumento tem base sólida;

II – o pregador se aproveita da falta de esclarecimento do seu público rebanho, confiando que não será questionado em hipótese alguma (o post “Não toque no ‘ungido’ do Senhor trata desse assunto), soltando suas ideias como se fossem uma verdade revelada pelo Senhor, com voz forte, trejeitos, postura, com o intuito de atingirem maior prestígio, poder, ganhos finaceiros ou qualquer outra coisa nesse sentido.

Recomendo a leitura do capítulo 24 de Mateus e do capítulo 2 de 2Pedro para uma maior reflexão.

 

Infelizmente, é comum a transmissão/retransmissão de informações equivocadas por parte da liderança da igreja. Isso nos faz pensar sobre os critérios utilizados  pelas “faculdades” de teologia hoje em atividade no Brasil. Será que os pastores formados estão realmente inseridos em profundidade no conhecimento teológico? Qual será o efeito gerado pela multiplicação de “bacharéis”, “mestres” e “doutores” mal preparados, muitos sem mesmo o conhecimento básico da língua portuguesa, quanto mais de outras disciplinas que exigem uma dedicação maior? Veremos o aumento da presença dos “mestres do engano” em nossas igrejas? Temo que sim.

 

Cuidado meus irmãos.

Chequemos as informações a nós transmitidas.

 

Fonte:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/24

http://www.bibliaonline.com.br/acf/2pe/2

 

 

 

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

Os desafios da igreja no Brasil – II – Desconstrução do mito da renovação da águia.

Caros irmãos, que a paz seja convosco!

 

“E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” 2 Tm 4:4

 

Muitos já devem ter ouvido a “história” da águia que, ao chegar aos 40 anos, fraca e quebrantada, tem que fazer uma escolha: ou opta pela morte, ou passa por um processo extremamente doloroso de transformação, onde arranca suas penas, suas unhas, quebra seu próprio bico, fica de 150 a 180 dias sem comer e ressurge como nova para viver mais 30 anos. É um texto muito utilizado em palestras motivacionais para funcionários de empresas multinacionais e/ou de grande porte, agremiações, escolas e, recentemente, tenho presenciado o seu uso em muitos cultos, pregações, eventos e vídeos doutrinários. Alguns links, entre tantos, para verificar:

http://www.youtube.com/watch?v=xuytkZvi_8w (Pregação renovação da águia)

http://www.esbocosermao.com/2011/11/renovacao-da-aguia.html (Pr. Welfany Nolasco)

Essa “história” da águia serve de base para pregações que falam sobre renovação, perseverança, sacrifício e superação. É bem legal, né? O grande problema é que toda essa “história” sobre a renovação da águia não passa de mito. Antes de prosseguirmos, vejamos qual o significado desse vocábulo:

Mito

s.m. Narrativa popular ou literária, que coloca em cena seres sobre-humanos e ações imaginárias, para as quais se faz a transposição de acontecimentos históricos, reais ou fantasiosos (desejados), ou nas quais se projetam determinados complexos individuais ou determinadas estruturas subjacentes das relações familiares.
Fig. Coisa fabulosa ou rara: a Fênix dos antigos é um mito.
Lenda, fantasia.
Fig. Coisa que não existe na realidade.

Sinônimo de mito: lenda

Fonte:http://www.dicio.com.br/mito/

É bem provável que esse mito tenha se originado ao misturar alguns versículos descontextualizados do Velho Testamento, provavelmente Sl 103:5 entre eles, com o mito da fênix grega – a isso damos o nome de sincretismo religioso, que é assunto a ser detalhado num próximo post.

O primeiro item a ser esclarecido, quando deparamos com esse mito da renovação da águia, é saber a qual espécie de águia se refere o texto. Isso porque existem cerca de 231 espécies de aves, em 65 gêneros distintos, que pertencem à família Accipitridae, englobando as águias e gaviões. O termo águia, ou gavião, é apenas o nome popular dos representantes dessas espécies, encontrando-se, às vezes, ambos os termos para um mesmo pássaro, como é o caso da Harpia brasileira (Harpia harpyia) que pode ser chamada de águia-cinzenta ou gavião-real, conforme a região onde é encontrada. Apesar de não haver um consenso, normalmente o termo “águia” se refere àquelas aves com maior porte e força. Além disso, a águia normalmente utilizada como referência em fotos ou slides sobre o mito é a águia-careca norte americana, encontrada exclusivamente na América do Norte, não ocorrendo naturalmente no Oriente Médio, palco da grande maioria das ações descritas na bíblia.

 

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Linda, não? Essa é a Haliaeetus leucocephalus, encontrada na America do Norte: Canadá, EUA e México.

 

Já no Oriente Médio e Ásia, onde hoje é situado o Estado de Israel, encontramos outras espécies de águias como a águia-imperial, cujo nome científico é Aquila heliaca.

 

ImagemEssa é a águia-imperial, Aquila heliaca, encontrada naturalmente numa extensa área que vai de Israel até a China. Linda, como quase todas as aves de rapina.

Notemos, no entanto, que nenhuma espécie de águia (e nem de quaisquer outras aves conhecidas até hoje) apresenta o comportamento descrito no mito. É certo que as espécies acima citadas podem viver até os 25-30 anos em liberdade e até os 40 em cativeiro, mas não há registro de que vivam até os 70 anos, nem que em certa época de sua vida vida essas aves optem por morrer ou passar por todo o processo listado. Aliás, o termo “opção” pressupõe um nível de consciência e reflexão intelectual que não existe nas aves de nenhuma família. Quanto à troca de penas, ela é constante nesses animais. Pelo menos uma vez por ano a maioria das penas é trocada, mas sempre aos poucos e não todas de uma vez, o que impediria o voo e consequentemente a alimentação. Isso rechaça outro aspecto do mito, pois é impossível a esses animais, que possuem altas taxas metabólicas, passar 150 dias sem se alimentar. Eles morreriam de fome por volta do oitavo dia e de sede um pouco antes disso. É verdade que os bicos e as unhas crescem indefinidamente, mas o desgaste constante com o uso natural mantém esses elementos sempre dentro dos tamanhos normais para a espécie. Casos de auto-mutilação são raríssimos e sempre relacionados com doenças e/ou estresse anormal em péssimas condições de cativeiro.

Fonte:

http://www.avesderapinabrasil.com/perguntasfrequentes;

http://www.allaboutbirds.org/;

http://www.ceo.org.br/mitos/aguia.htm;

http://diariodebiologia.com/2013/09/o-ritual-de-renovacao-da-aguia-e-verdade/#.UzwqlfldV-k

Entramos então numa outra questão: se a “história” da renovação da águia não passa de mito, lenda, invencionice, por que é utilizada nos púlpitos? Por que é propagada como sendo verdadeira, até mesmo sendo referenciada biblicamente?

É aí que sentimos a falta da atitude bereana: “E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” At 17:10-11; um saudável ceticismo, que leva a pessoa a conferir se o que ela está ouvindo condiz com a realidade ou cai na esfera dos mitos ou lendas. O analfabetismo funcional, já citado no post anterior, se torna mais uma vez um dos grandes vilões da igreja. A falta de espírito crítico, oriundo do hábito da leitura, transforma os seres humanos em pessoas que acreditam no que é dito por alguém que se porta e é tratado como “superior em conhecimento”. Aliás, muitos dos lobos-pastores, pregadores falastrões, bem vestidos e com boa oratória, se valem de sua condição para propagar ideias absurdas de cima dos púlpitos como sendo verdade divina. Esses indivíduos nefastos  são cientes da falta de conhecimento possuído pelo seu gado fonte de renda rebanho, e, tal como os falsos doutores citados em 2 Pe 2:1, “introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” Tenhamos cuidado com isso. Se Paulo se agradou da atitude bereiana, que confrontou o que ele mesmo dizia, devemos procurar agir da mesma maneira.

Para minimizar esse problema, devemos clamar à igreja que leia mais, que seja mais cuidadosa ao ouvir uma pregação, que procure se ater ao evangelho puro e simples, sem fábulas adicionadas pelo homem, pois “… não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.” 2 Pe 1:16.

Que o Senhor nos abençoe segundo Sua vontade.

Os desafios da igreja no Brasil – I

Caros irmãos!

 

    “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”

Mt 24:11

    Ainda que esse acontecimento tenha sido previsto há quase dois milênios, é com um misto de tristeza e apreensão que observo como os lobos vestidos de pastores estão aumentando em número e em poder, sem sequer serem confrontados pela própria igreja. Usa-se o discurso de que “em ungido não se mexe” talvez se referindo à “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.”1 Cr 16:22, ou outros versículos até mais conhecidos, como os que aparecem em 1 Sm 24. Esquece-se que estamos sob a nova aliança: “Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Lc 22:20, também demonstrado em todo o capítulo oitavo da carta aos Hebreus; que não estamos mais sob a lei mosaica e que o conceito de “ungido” se aplica agora a todo o cristão, conforme 1 Jo 2, diferentemente do conceito veterotestamentário.

   Quanto aos falsos profetas, falsos doutores e outros “sepulcros caiados”, creio que seus atos deturpados devam ser expostos, denunciados e combatidos. Cristo fez isso. Paulo fez isso. E Paulo disse que devemos ser imitadores dele como ele foi de Cristo, 1 Co 11. 

    Alguns problemas, entretanto, tornam muito difícil esse posicionamento por parte da grande maioria dos “evangélicos”, sendo talvez o analfabetismo funcional  um dos principais. Note que esse problema é endêmico da sociedade brasileira, a ponto de ter lido há pouco tempo um texto do professor Pasquale (fonte:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2014/03/1428095-o-brasil-a-rotatoria-e-os-analfabetismos.shtml) onde é citado que apenas 24% dos brasileiros conseguem ler e interpretar textos simples. Essa assombrosa afirmação pode ser em parte comprovada ao se constatar o descaso com a língua portuguesa presente na maioria das pregações, textos publicados, comentários em sites e redes sociais na internet, etc. Curiosamente, as defesas mais irracionais, belicistas e truculentas desses lobos-pastores são as que apresentam os erros mais crassos de português… Coincidência? Complicando ainda mais a situação, dada que a tradução mais tradicional da Bíblia para português, a Almeida Corrigida e Revisada Fiel, faz uso de uma forma mais culta da língua, como esperar a correta interpretação do texto bíblico? Como esperar que a pregação não esteja equivocada? Como esperar que um analfabeto funcional (lembre-se: 76% da população brasileira…) tenha recursos linguísticos e intelectuais suficientes para não cair nas presepadas, profetadas e nos engodos? Vejo que a luta para alfabetizar corretamente o povo brasileiro, o povo evangélico incluso, será uma das mais difíceis e importantes que temos pela frente, pois quem engana, ilude e escraviza, não quer que se tenha acesso à educação de qualidade, nem quer que seu gado rebanho desenvolva o pensamento crítico e pesquisador presente na longínqua igreja bereiana.  E, não por acaso, me veio à mente o produto de Miguel de Cervantes: Dom Quixote de La Mancha em sua luta eterna contra os Moinhos de Vento Gigantes… Os textos a serem publicados nesse Blog pretendem, entre tantas coisas, versar sobre esses e outros grandes problemas que afligem a igreja atual, estudando alternativas e propondo ações que alterem, ou pelo menos minimizem, o impacto nefasto que esses falsos mestres produzem em nossa sociedade.  Que Deus nos abençoe a todos, conforme Sua vontade.